quarta-feira, 24 de maio de 2017

Oposição alerta para estado de sítio e Marco Aurélio diz estar preocupado
O Jornal de todos Brasis


Foto: Mídia Ninja
Jornal GGN - O decreto assinado por Michel Temer de colocar tropas federais nas ruas do Distrito Federal, em Brasília, por uma semana, está sendo visto como um estado de sítio. Neste momento, a oposição no Congresso tenta sustar o decreto, e o ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), interrompeu a sessão para dizer que está preocupado.
A decisão assinada por Michel Temer, pelo ministro da Defesa, Raul Jungmann, e pelo ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Sérgio Etchegoyen, foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União, nesta quarta-feira (24).
Em comunicado sobre a medida, o Ministério da Defesa disse que o uso das Forças Armadas, descrita na Constituição como "Garantia de Lei e da Ordem" (GLO), ocorre quando há "o esgotamento das forças tradicionais de segurança pública em graves situações de perturbação da ordem".
Temer publicou o decreto após o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), pedir "reforço na segurança" na região da Esplanada dos Ministérios, onde ocorre uma manifestação pelas Diretas Já e pela queda de Michel Temer.
O presidente, o ministro da Defesa e a base aliada do mandatário no Congresso consideraram que as reações populares no protesto eram graves. "Eu pedi o apoio das Forças Nacionais, sim. Agora, qual foi o instrumento que ele [Raul Jungmann] usou foi uma decisão do governo. Agora, de fato, o ambiente na Esplanada era grave e, para garantir a segurança tanto dos manifestantes quanto daqueles que trabalham na Esplanada e no Congresso, eu fui ao presidente que a Força Nacional pudesse colaborar neste momento junto com a Polícia do Distrito Federal", disse Maia.
Entretanto, o governo não justificou porque estendeu o decreto de Lei e Ordem por sete dias, uma semana. Contrariado com as manifestações, Jungmann disse que, para Temer, os protestos eram "baderna". "O senhor presidente da República faz questão de ressaltar que é inaceitável baderna, inaceitável o descontrole e que ele não permitirá que atos como esse venham a turbar o processo que se desenvolve de forma democrática e com respeito às instituições", disse o ministro.
"Tem que suspender o decreto porque ele é ilegal, completamente fora da Constituição. Nós estamos em estado de sítio, com o Exército em torno da casa agredindo o pessoal lá fora", disse a deputada Jandira Feghali (PcdoB-RJ). Jandira alarmou: "se sair um cadáver lá fora, é de vocês. Se não é seu [do presidente da Câmara, Rodrigo Maia], é do governo", declarou.
Em plena sessão de julgamentos do Supremo Tribunal Federal, o ministro Marco Aurélio Mello interrompeu, preocupado: "Voto um pouco preocupado com o contexto, e espero que a notícia não seja verdadeira. O chefe do Poder Executivo teria editado decreto autorizando uso das Forças Armadas no Distrito Federal no período de 24 a 31 de maio", disse.
Vídeo: Reprodução Buzzfeed 
Leia o decreto:

segunda-feira, 22 de maio de 2017

A má vontade de Moro com as menções de Palocci à Globo e a um banqueiro

21 de maio de 2017 às 14h17

  
Da Redação
O vídeo acima reúne dois trechos do depoimento do ex-ministro Antonio Palocci ao juiz Sergio Moro, em Curitiba.
No primeiro, Palocci tenta contextualizar as ações de um governo para demonstrar que nem toda ação de ajuda é necessariamente criminosa. Por exemplo, diz que tentou salvar a Varig inclusive em reunião realizada no Supremo Tribunal Federal!
Como se sabe, Moro pressupõe que qualquer ação política é criminosa. Talvez acredite apenas na “meritocracia” dos concursados, pois a soberania popular brasileira está contaminada por um povo que, em si, é desdentado, descamisado e corrupto.
No segundo trecho, Palocci tinha acabado de contar que soubera, através de Marcelo Odebrecht, que existia uma “provisão” da empreiteira para as campanhas do PT, que ele contou ao então presidente Lula, que por sua vez ficou surpreso.
É aquela coisa: você separa 500 mil reais numa conta para ajudar um amigo e a própria existência dessa grana, sobre a qual seu amigo não necessariamente sabe, nem movimenta, pode incriminar seu amigo.
Palocci narra, então, que foi procurado por um banqueiro para um assunto que, segundo ele, hoje tem relação direta com a Lava Jato.
Mas… o juiz Moro não parece muito interessado — pelo menos não agora. Ele só quer falar em Odebrecht, Odebrecht, Odebrecht.
O contexto, que é essencial inclusive na atividade jornalística… esse não interessa.
O curioso é que Moro faz política fora da cadeira de magistrado: dá palestras, participa de eventos públicos, dá entrevistas, se comunica com seguidores através das redes sociais.
Mas, no papel de julgador, ele não quer saber da complexidade das relações políticas, tomando-as como intrinsicamente corruptas.
Longe da gente acreditar na santidade do ex-ministro Palocci, especialmente depois que se tornou lobista, mas observando a íntegra do depoimento fica claro que ele já foi condenado e o testemunho é mera formalidade.

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Desmontando a tentativa da Folha de livrar Temer do impeachment

Mais do que amenizar as acusações contra Temer, Folha simplesmente omitiu todo o trecho da conversa que dá à oposição o 3º motivo para o impeachment, caso o suposto aval à compra de silêncio de Cunha e prevaricação não bastem: o presidente abriu a porteira do governo para a JBS entrar e fazer as modificações necessárias aos interesses da empresa. Tudo através do blindado ministro Henrique Meirelles
Jornal GGN - O jornal Folha de S. Paulo decidiu ocasionalmente abandonar o modus operandi que vinha praticando em relação à Lava Jato nos últimos três anos e comprar a versão do acusado em detrimento das provas e delações divulgadas pelo Ministério Público Federal.
A edição desta sexta (19) prima pela presunção de inocência de Michel Temer num momento em que a cabeça do peemedebista é rifada pela Globo, autor do furo que pode provocar um novo impeachment.
Mas o benefício da dúvida a Temer é dado ao custo da omissão de parte substancial da conversa gravada por Joesley Batista, da JBS. O material foi divulgado na noite de ontem pelo Supremo Tribunal Federal e, no mesmo dia, Folha apressou-se em declarar o conteúdo "inconclusivo". 
Para ter certeza que o leitor entendeu que Temer não pode ser acusado de dar anuência a pagamento de propina a Eduardo Cunha na prisão, como afirma a Lava Jato, Folha escreveu três vezes a mesma manchete, dentro da mesma edição. Capa e páginas 4 e 10 trazem a informação, de que não ficou claro, dada a péssima qualidade do áudio, que Temer sabia que o "acerto em dinheiro" dado entre a JBS e Cunha era propina para o ex-deputado ficar calado. Na versão do presidente, era uma "ajuda humanitária". Ajuda mensal e dada após cobrança insistente de Cunha, diga-se.
Esse primeiro esforço da Folha em livrar Temer é derrubado quando lemos o próprio jornal, que cita uma segunda gravação (essa não publicizada), de Joesley com Rodrigo Rocha Loures, deputado indicado por Temer para cuidar dos interesses da JBS junto ao governo e filmado pela Polícia Federal carregando uma mala de dinheiro. Nessa gravação, segundo Folha, Joesley aparece dizendo ao parlamentar: "Eu disse pra Michel, desde quando Eduardo foi preso e ele [Funaro], quem está segurando as pontas sou eu". Loures concorda: "Cuidando deles lá". Temer disse algo no mesmo sentido: "Tem que manter isso aí, viu?".


Para Folha, o único possível crime cometido por Temer foi o de prevarização. Isso porque o presidente ouviu relatos de Joesley sobre a compra de procuradores e, quem sabe, até de juízes, para desacelerar investigações do Ministério Público contra a JBS, e respondeu: "Ótimo, ótimo." Claro que o jornal não relatou esse trecho da conversa com tal contundência. Disse que Temer ouviu relatos que dão conta de obstrução de Justiça, de maneira genérica, e nada fez. 
O 3º MOTIVO PARA IMPEACHMENT
Mais do que amenizar as acusações contra Temer, Folha simplesmente omitiu todo o teor explosivo do trecho da conversa que dá à oposição o 3º motivo para o impeachment, caso o suposto aval à compra de silêncio de Cunha e prevaricação não bastem: o presidente abriu a porteira do governo para a JBS entrar e fazer as modificações necessárias aos interesses da empresa. No Cade, na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), na Fazenda, na Receita Federal. Tudo através do blindado ministro Henrique Meirelles, o adorado do deus mercado.
O leitor que não puder conferir a conversa que cita a pressão por uma mudança de postura de "Henrique" (o GGN ouviu o aúdio e registrou os principais pontos aqui), deve apenas abrir outro jornal da grande mídia e conferir a diferença de tratamento.
O Globo, autor do furo que pode acabar com Temer, publicou que Joesley foi autorizado "a ser firme com Meirelles." No áudio, um dos trechos mais claros são os relatos de que o ministro da Fazenda vinha sendo cobrado por mudanças em órgãos onde a JBS acumula problemas. Joesley queria um "alinhamento" com Temer, para que Meirelles parasse de dar respostas evasivas e executasse as cobranças.
"É só isso que eu queria, ter esse alinhamento. Para ele perceber que nós temos... Mas quando eu digo ir mais firme no Henrique, é isso... esse alinhamento que eu queria ter...", disse. Temer respondeu: "Tá bom, pode fazer."
A outra gravação, de Rocha Loures com Joesley, O Globo igualmente tratou como "outro exemplo de sintonia entre Temer e Joesley".
Ao deputado, Joesley relatou interesse em ter "posições-chave" no Cade, CVM, Receita, Banco Central e Procuradoria da Fazenda. "Eu só preciso é resolver meus problemas, não é que eu gostaria que fosse João ou Pedro [o indicado]..."
Imediatamente, Loures fez uma série de telefonemas na frente de Joesley para provar que podia ajudá-lo. O deputado foi filmado pela PF, depois, recebendo uma mala com R$ 500 mil da JBS. O jornal dos Marinho tem as imagens, mas a Folha decidiu ignorar esse fato e também omitiu da reportagem.
Se a lógica da Lava Jato for aplicada ao caso, Temer está para Loures e JBS assim como Lula está para os ex-diretores da Petrobras e as empreiteiras Odebrecht e OAS. Com uma diferença: contra Lula, não foram apresentadas provas materiais de que o ex-presidente sabia dos pagamentos ilícitos. Contra Temer, há a gravação.
DOIS PESOS, DUAS MEDIDAS
Quem seguiu os passos de Folha foi o Estadão, com um editorial igualmente fora da curva em relação à Lava Jato.
Nesta sexta (19), o diário tratou os vazamentos contra Temer como uma "arma política" - situação nunca aplicada a Lula ou Dilma Rousseff, por exemplo. Também disse que Temer ficou refém da demora do STF em liberar os áudios, prevalecendo a "versão do acusador" e provocando reação "estapafúrdia" no Congresso, dos que clamam por impeachment sem pensar na estabilidade do País. Preocupação que também não se teve com Dilma. Por fim, e depois de chamar a gravação de "clandestina", Estadão considerou o material inconclusivo, ignorando que Temer já é alvo de um inquérito instaurado pelo Supremo Tribunal Federal por causa dessas evidências.
Não se sabe o que fez a cobertura da Folha (e em menor grau, a do Estadão) tirar o pé do acelerador quando a Globo parece patrocinar o impeachment de Temer. O que se sabe é que o benefício da dúvida é concedido menos de 24 horas depois do presidente mandar suspender R$ 200 milhões em publicidade.

O alvo final é Lula, por Mauro Santayana

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Foto: Ricardo Stuckert
Do blog de Mauro Santayana
por Mauro Santayana
Aqueles que estão soltando foguetes que nos desculpem, mas não nos colocamos entre os que comemoram, efusivamente, as últimas notícias. 
Moralmente e por uma questão de princípios em defesa da democracia, quem está contra os casuísmos e arbitrariedades jurídico-investigativas da Operação Lava Jato no caso de Lula, tem que se manter contra esse tipo de coisa também quando o atingido é o campo adversário.
Até mesmo porque parte, e faz parte da estratégia, de quem tem apenas um interesse: o seu próprio lado.  
Não vemos como solução para o país um impeachment de Temer a ser conduzido pela figura nefasta da Janaína Paschoal, que já  defende essa hipótese para aparecer nos jornais, nem a  convocação de eleições indiretas para a Presidência da República para as quais a mídia  já especula, significativamente, citando o nome de Sérgio Moro, se "magistrado poderá ser candidato".
Isso, em um processo a ser conduzido por um congresso majoritariamente golpista, em grande parte também investigado por uma operação cuja autoridade máxima é o próprio "chefe" da  República de Curitiba.
A ideia de uma nova campanha pelas Diretas Já é correta, do ponto de vista da lógica democrática.
Mas se formos objetivos e pragmáticos,  considerando a atual situação política, retira tempo precioso da oposição, que poderia ser utilizado, caso as eleições se fizessem normalmente em 2018, para que Lula se recuperasse e refizesse - aproveitando a crescente impopularidade do governo Temer e denunciando e esclarecendo as mentiras de que tem sido alvo - sua relação com a opinião pública e seu caminho para a Presidência da República.
Uma eleição agora, mesmo que direta, pode jogar o poder no colo de Jair Bolsonaro, apoiado pela sensação de caos institucional, pela condição de não estar sendo processado pela Lava Jato, e, caso chegue ao segundo turno, como as pesquisas indicam, por uma aliança que abrangeria da extrema-direita a setores mais oportunistas do próprio PMDB e do PSDB, passando pelo "centro" fisiológico dos partidos  nanicos conservadores, unida pelo objetivo comum de evitar, a qualquer custo, que o PT e sua "jararaca" voltem à Presidência da República.
Finalmente, a leitura mais correta é de que os principais alvos das mais recentes manobras da "justiça" não sejam nem Temer nem Aécio, por mais implacáveis que sejam, contra ele, os juízes e procuradores.
As acusações contra os dois foram forjadas - já que se tratam claramente de arapucas propositadamente montadas -  como forma de abrir caminho, definitivamente, para a condenação de Lula.
A percepção da população de que a Justiça e o Ministério Público estavam sendo totalmente seletivos e parciais no trato dos gregos com relação aos troianos vinha crescendo a olhos vistos nas últimas semanas, e aumentava, na mesma proporção, a popularidade e as intenções  de voto do ex-presidente da República, especialmente depois de seu depoimento em Curitiba e da absurda proibição de funcionamento do seu instituto.
Com as acusações contra Temer e Aécio, o anti-petismo entrega duas torres para capturar e eliminar o Rei que odeia e persegue, sem êxito, há tanto tempo.
  
A partir de agora, ninguém pode mais dizer que a Operação Lava Jato só atinge o PT, enquanto afaga seus adversários.
E Lula poderá então, ser condenado "exemplarmente" por Moro,  aproveitando-se o caos político que tomará conta do país nas  próximas semanas, sendo definitivamente impedido de voltar por via eleitoral ao Palácio do Planalto, tanto agora, em eventuais  "Diretas Já", como em 2018.

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Deputado que teria recebido propina das JBS está com João Doria nos EUA
O deputado federal Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) não é um dos nomes mais conhecidos no cenário político nacional. Suplente de Osmar Serraglio, que assumiu o Ministério da Justiça em março deste ano, o parlementar era, até então, um nome quase desconhecido para o grande público.
No entanto, após as denúncias desta quarta-feira (17), Loures teve seu nome envolvido em um enorme escândalo. Ele teria sido o escolhido pelo presidente Michel Temer para “resolver” um problema para a J&F, holding que controla a empresa frigorífica JBS.
Segundo o presidente da empresa, Joesley Batista, em denúncia publicada pelo jornal O Globo, Temer indicou Loures para interceder a favor da JBS. O deputado teria sido filmado recebendo uma mala de dinheiro.
Enquanto Temer e sua base aliada correm para minimizar os efeitos da denúncia, Loures está bem longe: mais precisamente, em Nova Iorque, acompanhando o prefeito de São Paulo, João Doria.
O tucano está nos Estados Unidos, onde recebeu um prêmio, se reuniu com o ex-prefeito nova-iorquino Michael Bloomberg e também com investidores americanos que procuram oportunidades de negócio no Brasil.
Loures, que é Membro Titular, Conselho da Micro, Pequena e Média Indústria da FIEP (Federação das Indústrias do Estado do Paraná), viaja junto do prefeito paulistano.
Essa não foi a primeira interação entre os dois políticos: em abril deste ano, Loures e Doria participaram do 16º. Forum Empresarial, em Foz do Iguaçu, promovido pela empresa LIDE, da qual Doria é dono.
Em uma postagem do Facebook, Loures posa para foto abraçado com Doria. “Estamos reunidos aqui no Paraná no evento promovido pelo LIDE – Grupo de Líderes Empresariais, fundado pelo meu amigo e Prefeito de São Paulo, João Doria”, escreveu o deputado, demonstrando intimidade com o tucano.
Homem de confiança de Temer, Loures foi conselheiro especial da presidência logo após o impeachment de Dilma Rousseff.
No PMDB desde 2005, ele foi deputado federal pelo Paraná de 2007 até 2011. Nas últimas eleições, acabou não sendo eleito, mas assumiu como suplente de Osmar Serraglio.
Ferrenho defensor das reformas e das empresas Rodrigo Rocha Loures é filho de Rodrigo Costa da Rocha Loures, vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e integrante do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES) e do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia (CCT).
PS do Viomundo: Segundo o blog do Esmael, especialista nos assuntos do Paraná, Rocha Loures foi um dos participantes mais entusiasmados da reunião em que o PMDB decidiu entregar os cargos no governo Dilma, mas não se demitiu imediatamente do cargo que ocupava, de assessor da vice-presidência. Segundo o Lupa, eis as datas de nomeação dele: “No dia 23 de janeiro de 2015, Rodrigo Rocha Loures foi nomeado chefe da Assessoria Parlamentar da Vice-Presidência da República, então ocupada por Michel Temer. Três meses mais tarde, em 29 de abril de 2015, passou à chefia de gabinete da Secretaria de Relações Institucionais. Em setembro do ano passado, Rocha Loures voltou a trabalhar diretamente com Temer, ao ser nomeado Assessor Especial do Gabinete Pessoal da Presidência”.

Por trás da operação Aécio, a sombra de Serra

Por trás do vazamento da delação da JBS, ontem, pode estar uma velha disputa entre o grupo de José Serra e o de Aécio Neves na Polícia Federal.
Hoje de manhã foi deflagrada a operação contra o senador Aécio Neves, autorizada pelo STF (Supremo Tribunal Federal) e com pedido de prisão de sua irmã Andréa Neves. A operação já estava marcada há dias. Por isso, há suspeita - na PF - de que o vazamento tenha sido uma tentativa desesperada do grupo de Aécio, na PF ou na PGR (Procuradoria Geral da Repúbica) de avisar os alvos para se desfazerem de provas.
Ontem por volta das 16:30 houve uma reunião tumultuada entre o delegado geral da PF Leandro Daiello e o grupo. Temia-se que a operação pudesse ser cancelada. Não foi.
Aécio fincou pé na PF depois que foi alvo de armação do grupo do senador José Serra na corporação. Ambos disputavam a liderança no PSDB. Liderado pelo ex-policial Marcelo Itagiba, o grupo de Serra tentou flagrar Aécio em uma boate no Copacabana Pálace. Aécio foi avisado a tempo e se safou da armação.
A partir do episódio, decidiu fincar montar seu grupo na PF. E, através do Estado de Minas, produziu o mais contundente documento até agora contra Serra, o livro “Privataria Tucana”, do jornalista Amaury Jr.
No final de 2014, a PF de Serra montou uma operação em cima do governador mineiro eleito, Fernando Pimentel, pensando pegar dois pombos com um só tiro, julgando que ainda estaria em vigor o pacto de Minas, dele com Aécio, que resultou na eleição de Márcio Lacerda para a prefeitura de Belo Horizonte.
No início do governo Lula, aliás, a ponte entre PSDB e PT era garantida pelo pacto mineiro.
Foi preso, então, o marqueteiro Benedito Oliveira, o Bené, dentro da Operação Acrônimo. Desde então, a PF de Serra vem mantendo o noticiário aceso: periodicamente saem denúncias contra Pimentel, todas provindas da mesma delação de Bené e saindo na mesma publicação, o Estadão, aparentemente o último veículo em que Serra mantém influência.
A ação da PF de Serra só não evoluiu porque esbarou no ex-Ministro Nelson Jobim que se casou em segundas núpcias com Adrienne Giannetti Nelson de Senna, que fez brilhante carreira no serviço público - foi uma das primeiras presidentes do COAF (Conselho do Controle de Atividades Financeiras) – e é de uma família dona de empreiteira que mantém boas relações com Pimentel e Aécio.
Jobim teve papel relevante para garantir a estabilidade política junto ao Supremo. E se credenciou como pessoa capaz de costurar pactos entre PSDB e PT.
A investida contra Aécio se dá em um momento em que Serra fugiu de todo noticiário, visando se preservar.
Obviamente, a operação não foi engendrada pelo grupo de Serra, mas devido às delações-bombas dos irmãos Batista, da JBS.
Os artistas que apoiam Aécio